domingo, 27 de março de 2011

VIPs


"Quem você quer que ele seja?" é a frase do cartaz de "VIPs", filme do diretor estreante Toniko Melo, estrelando Wagner Moura. O longa-metragem tem como enredo a famosa história de Marcelo, mestre em imitar e se passar por outras pessoas, que sonhava em viajar o mundo como um piloto de avião; ao sair de casa, o jovem usou seu talento natural e arrumou emprego em um pequeno aeroclube, algum tempo depois, já era o piloto clandestino mais famoso das pistas de pouso paraguaias. Mas o clímax do filme acontece quando Marcelo resolve fingir ser o filho do dono da companhia aérea Gol durante o carnaval do Recife. Marcelo, Carrera, Drummond, Bizarro, Henrique Constantino... Talvez a frase certa para o filme seja: Quantas personalidades alguém pode usar para mascarar quem realmente é? Ou seria para descobrir quem realmente é? A produção trata justamente disto, de máscaras, e cada umas delas é uma peça fundamental para formar a aura de insanidade e esquizofrenia que cerca o protagonista. "VIPs" tem um excelente roteiro e traz alguns experimentalismos interessantes com a câmera - além de contar com a sempre excelente atuação de Wagner Moura - mas peca por caricaturar demais em certos pontos, como na caracterização do personagem. Por fim, o filme guarda algumas surpresas para o final e é recheado de mensagens que dependem da sensibilidade do público para serem captadas. Eu indico!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Bravura Indômita


Quem pensava que os irmãos Coen eram mestres apenas do humor negro e da ironia, se surpreendeu quando o brilhante faroeste "Onde Os Fracos Não Tem Vez" devolveu a dignidade ao cinema dos diretores em 2007. E ao que parece, Joel e Ethan Coen decidiram se aventurar mais uma vez no estilo, desta vez com "Bravura Indômita" - baseado no romance de 1968 do jornalista Charles Portis, já filmado em 1969 por Henry Hathaway. A história gira em torno de Mattie Ross (Hailee Steinfeld), de apenas 14 anos, em busca de vingança pelo assassinato do pai a sangue frio por Tom Shaney (Josh Brolin). Ela contrata o federal beberrão Reuben J. Cogburn (Jeff Bridges) para encontrar o assassino em território indígena; a dupla, por sua vez, precisa encontrá-lo antes de La Boeuf (Matt Damon), um policial do Texas que está à sua procura devido ao assassinato de outro homem. É, sem dúvidas, um grande filme, com excelentes roteiro, figurindo, cenários e elenco. Mas é um filme para cinéfilos se esbaldarem com as tomadas cinematográficas geniais; pela grande maioria do público, a produção será classificada entre chata e entediante - e isso acontece por dois principais motivos: o longa realmente demora um pouco para engrenar e a atuação da garota Hailee Steinfeld é extremamente cansativa, pesada e irritante. 'Bravura Indômita' então se mostra mais como uma confirmação do talento dos Coen para o gênero Faroeste depois do (muitas vezes melhor) 'Onde Os Fracos Não Tem Vez'. O filme obteve 10 indicações ao Oscar e não faturou a estatueta em nenhuma - porque, de fato, não merecia nenhuma - mas está recomendado por ser uma produção de muito alto nível e ser uma verdadeira raridade dentro do cinema dos Irmãos Coen: um roteiro sem cinismo. Recomendado!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O Vencedor


Como já virou moda, o Oscar deste ano também traz seu "filme de boxe"; sabe aquele típico filme de superação, ambientado no universo das lutas de boxe? É dele mesmo que estou falando! Diz respeito à produção "O Vencedor", do diretor David O. Russell, que concorre a 7 categorias da cobiçada premiação. Treinado por seu meio-irmão Dicky Ecklund (Christian Bale) - uma lenda do boxe que desperdiçou o seu talento devido ao vício do crack - e se mostrando um verdadeiro fracasso em suas lutas, Micky Ward (Mark Wahlberg) terá que escolher entre seus familiares e a vontade de ser um verdadeiro campeão. Após a prisão do irmão e um documentário humilhante exibido na HBO, Mick vai atrás de se tornar um novo campeão e superar as conquistas de Dicky. O enredo pode ser um tanto previsível superficialmente, mas o segredo do filme está em suas profundezas: está em imaginar o quão miseráveis são aquelas vidas retratadas nas telonas, o quanto os próprios personagens estão cientes disso, o quanto querem mudar isso e torcer pra que dê tudo certo no final. "O Vencedor" foi inspirado em uma emocionante história real; é sim, um cenário já saturado, mas que carrega aquela velha mensagem presente em muitos e muitos filmes e que é "insaturável" - a de conquistar os próprios sonhos; afinal, esperança nunca sai de moda. Recomendado!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O Discurso do Rei


"O Discurso do Rei" relata a história verídica do Rei George VI, que assumiu o trono inglês em 1936, mas precisa superar sua maior dificuldade: a gagueira - um problema muito sério, visto que um integrante da realiza britânica frequentemente precisa fazer discursos. Para isto, o rei recebe o auxílio do especialista em discursos, Lionel Logue; que com o tempo, torna-se seu amigo. E ninguém melhor do que Vossa Alteza o ator Colin Firth para interpretar de maneira excepcional o monarca, não? Que ainda contou com a companhia do enorme talento de Helena Bonham Carter e Geoffrey Rush, nas peles da esposa Elizabeth e do especialista Lionel Logue. Logo nos momentos iniciais do filme, as analogias com "My Fair Lady - Minha Bela Dama" de 1964, são inevitáveis - ambos os filmes trazem mestres da linguagem oral lecionando protagonistas com dificuldade na fala. Todavia, ao desenrolar da trama, as relações entre os filmes vão ficando cada vez menos estreitas, devido ao fato de que "O Discurso do Rei" não se trata de um romance, uma comédia ou um musical, e pelas evidentes diferenças no roteiro em si; "O Discurso do Rei" é um drama, no qual estão presentes algumas cenas de alívio cômico sutis na dosagem exata (para não ofuscar a seriedade do enredo). É, sem dúvida, um grande filme (destaque para a fotografia e os cenários) e o favorito ao prêmio de Melhor Filme da Academia. Pessoalmente, creio que 12 indicações ao Oscar foi um certo exagero; mas qualquer categoria ganha será bem merecida. Assistam!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Cisne Negro


Depois de "Closer - Perto Demais", pouquíssimas pessoas ainda duvidavam do talento de Natalie Portman; depois de "Cisne Negro" certamente não haverá quem ainda o questione. A atriz de origem israelense está implacável em seu novo filme e, sem exageros, podemos classificar sua atuação como nada mais e nade menos que perfeita. Em "Cisne Negro", Portman interpreta a bailarina Nina, que conseguiu o papel principal de Rainha dos Cisnes no espetáculo "Lago dos Cisnes"; Nina não encontra problemas em interpretar o Cisne Branco: ela é inocente, precisa, rígida e com movimentos milimetricamente calculados; mas a bailarina precisa ir em busca da sua própria sensualidade para se "deixar levar" e interpretar o Cisne Negro. Pressionada pelo mundo em sua volta e, principalmente, por si mesma, a jovem então mergulha num mundo psicótico no qual as palavras-chaves são autoconhecimento, perfeccionismo, paranóia e muita dedicação. O diretor Darren Aronofsky elaborou um drama psicológico impecável, e que ficou mais genial ainda por conter a medida certa de beleza, sensualidade e suspense. As indicações ao Oscar de Melhor Filme e Melhor Diretor, além dos prêmios técnicos de Edição e Fotografia, foram muito bem merecidas, embora seja um tanto difícil "Cisne Negro" desbancar filmes como "O Discurso do Rei" e "A Rede Social". Todavia, um prêmio já pode ser praticamente considerado ganho: o de Melhor Atriz para Natalie Portman. Confiram esta verdadeira Obra de Arte!

A Rede Social


O vencedor de 4 Globos de Ouro e indicado a 8 prêmios Oscar, "A Rede Social", leva às telas um roteiro brilhante, uma direção genial e ótimas performances. O filme é baseado no livro "The Accidental Billionaires", de Ben Mezrich, que conta a origem do site, hoje mundialmente conhecido e acessado, Facebook. É interessante observar que, dentro do objetivo do diretor David Fincher, se encontra a temática quase (mas não totalmente) camuflada da influência das relações virtuais via rede social nos relacionamentos de fato pessoais e, até mesmo, o mau uso da internet. Dentre muitos pontos fortes do longa, três se destacam: a trilha sonora delicadamente pensada nos mínimos detalhes e que se encaixa de forma extraordinariamente coerente com as cenas; a atuação de Jesse Eisenberg como Mark Zuckerberg; e a primeira cena, com Zuckerberg falando compulsivamente e exaustivamente com sua namorada e White Stripes tocando ao fundo. Fica a dica: assistam "A Rede Social", é um exemplo de qualidade do cinema contemporâneo e é um concorrente de peso contra o favorito "O Discurso do Rei" na categoria de Melhor Filme.


Obs.: Desculpem pela demora deste post!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

De Pernas Pro Ar


"De Pernas pro Ar" traz a talentosíssima Ingrid Guimarães no papel de Alice, uma executiva de marketing moderna extremamente focada em sucesso e ascensão profissional. Após ser demitida e largada pelo marido, Alice conhece Marcela (Maria Paula), dona de um Sex Shop que a apresenta ao verdadeiro mundo do prazer e do sexo. A partir daí, a protagonista passa a se utilizar de suas habilidades profissionais para transformar a lojinha 'fuleira' em um bem-sucedido mercado. A trama não é um poço de originalidade, ela carrega consigo uma série de clichês, mas tais previsibilidades são camufladas pelo excelente trabalho de Ingrid Guimarães. É devido à atriz que muitas risadas (e até gargalhadas) são arrancadas do público; durante todo filme, foi ela quem se encarregou de levar todo o humor aos espectadores – e, claro, cumpriu a tarefa excepcionalmente. Por isso, "De Pernas pro Ar" está recomendado!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Além da Vida


Dizem que o segredo de brilhar na Sétima Arte consiste em: ou inovar com uma ideia inusitada nunca antes pensada; ou recriar um gênero, isto é, se utilizar de um velho estilo de forma diferente. Esta segunda opção foi usada pelo diretor Clint Eastwood em "Além da Vida". A trama mostra três histórias, a da jornalista Marie Lelay que sofre uma experiência de quase-morte, a do pequeno Marcus que perde o seu irmão gêmeo em um acidente e tem sua mãe na reabilitação para se livrar das drogas, e a de George Lonegan, um médium de verdade, que tem o dom (encarado como uma maldição por ele) de estabelecer uma comunicação entre os vivos e mortos. São tramas distintas que trazem consigo o tema da morte e, de certa forma, um ar de melancolia; em determinada altura do filme, as histórias se cruzam espontaneamente (e vale salientar que Eastwood realizou isso de forma genial). "Além da Vida" pode ser encarado como um filme espírita por alguns, porém não acredito que esta tenha sido a intenção do diretor; a verdade é um filme muito bom e de muito bom gosto, não chega a ser um "Menina de Ouro", "Sob Meninos e Lobos" ou "Gran Torino", mas vale muito à pena ser visto! Recomendado!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

72 Horas


A refilmagem do filme francês ‘Pour Elle’, dirigida por Paul Haggis, acabou por superar de forma devastadora a película original. ’72 horas’ é um filme policial dramático recheado de suspense; é um daqueles filmes que envolvem o público e faz todos torcerem para que dê tudo certo no final. O filme conta a história de John (Russel Crowe) que após de muito tentar provar a inocência de sua esposa, Lara, planeja tirá-la da prisão. A diferença entre a refilmagem e o original é que, no filme francês, embora o roteiro seja interessante e muito bom, o filme é desenvolvido de uma forma meio entediante; já no novo, o suspense é maior e o espectador mergulha de forma mais profunda na mente do protagonista, sentindo todo seu desespero e aflição. Os fatores que levaram a superioridade da produção americana foi vários, entre eles, o fato de que Russel Crowe ficou muito bem no papel do pai e marido devoto John, atuando com muito talento e coerência (fato que acontece raras vezes); e até mesmo a influência da trilha sonora em pontos específicos do desenrolar da trama. No meio dos diversos filmes atuais de ação lançados e seus respectivos valores questionáveis, ’72 Horas’ se salva categorizando-se na linha de ‘Busca Implacável’ – porém não chega a ser tão bom quanto o mesmo – está sim, recomendado!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

As Crônicas de Nárnia 3: A Viagem do Peregrino da Alvorada


Se algum dia a trilogia 'As Crônicas de Nárnia' tentou deixar apenas subentendidas as metáforas religiosas, essa preocupação não existe mais; 'As Crônicas de Nárnia 3: A Viagem do Peregrino da Alvorada' deixa muito evidente a essência cristã do filme. Porém, independente de sua mensagem espiritual, o terceiro filme da série é, tal como os outros, um verdadeiro convite ao suicídio. Lições de moral pedantes, humor infantil caricato e cansativo, e até mesmo clichês como 'Essa espada pertenceu ao seu pai, agora pertence a você', fazem parte do roteiro. Em matéria de fazer o público refletir, Nárnia não passa de uma versão pobre de Harry Potter. Embora seja um filme muito bem produzido, não deixe a desejar em matéria de fantasia e seja o filme menos chato da série, 'As Crônicas de Nárnia 3: A Viagem do Peregrino da Alvorada' é muito escasso de conteúdo e não oferece nada além de uma análise moral barata e ineficaz.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Recomendações: Martin Scorcese


Martin Scorcese é considerado o maior diretor americano vivo por muitos estudiosos e críticos de cinema; e esse título não foi dado por acaso, é consequencia do grande número de filmes impecáveis que constam em sua ilustre carreira. Temáticas religiosas, gangsters, Nova York, máfia, violência, jogo de interesses, dinheiro, vingança; tudo isso e muito mais faz parte das produções de Scorcese. Com seu imenso talento e toda sua genialidade, o cineasta fez filmes brilhantes desde a década de 70 até os dias de hoje. ‘Taxi Driver’, ‘Touro Indomável’, ‘O Rei da Comédia’, ‘Depois das Horas’, ‘A Cor do Dinheiro’, ‘A Última Tentação de Cristo’, ‘Os Bons Companheiros’, ‘Cabo do Medo’ ,’ A Época da Inocência’ , ‘Cassino’, ‘Gangues de Nova York’,’ O Aviador’, ‘Os Infiltrados’ e ‘ A Ilha do Medo’ são longas incríveis com roteiros fascinantes e dirigidos primorosamente, que estão dentro do consagrado histórico do diretor. Com 64 indicações e 15 prêmios Oscar e 51 indicações e 9 prêmios Globo de Ouro, Martin Scorcese é sim, o maior diretor americano vivo, que sempre contou com excelentes atuações, antes de Robert de Niro, e hoje, de Leonardo DiCaprio. Recomendadíssimo!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Recomendações: Robert Zemeckis


O cineasta, produtor e roteirista estadunidense, Robert Zemeckis, pode não ter um estilo próprio tão marcante e conhecido, quanto certos diretores como Tim Burton, Almodovar, Tarantino, Woody Allen, entre outros. Mas carrega, em seu histórico, filmes notáveis que fazem valer a pena falar de Zemeckis e que o categorizam como um grande diretor. Alguns de seus grandes sucessos que recomendo são: a trilogia 'De Volta para o Futuro', 'Náufrago', 'Uma Cilada Para Roger Rabbit', 'Contato' e 'Revelação'. Mas acima de tudo, indico 'Forrest Gump - O Contador de Histórias', o qual considero um dos melhores filmes americanos já realizados, tornando-se o maior sucesso de crítica e de público de Robert Zemeckis até hoje. Com a considerável ajuda da excelente atuação de Tom Hanks e a trilha sonora de Alan Silvestri (com quem que fez praticamente todas suas trilhas sonoras), ‘Forrest Gump - O Contador de Histórias’, pode ser considerado o projeto mais maduro do diretor, mesmo que ainda mantendo seu usual gosto por efeitos especiais; não é à toa que faturou 6 estatuetas do Oscar. Assistam!

Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos



Em ‘Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos’, Woody Allen explorou mais uma vez o estilo tragicômico, ou seja, aquele humor sutil que nos faz rir das nossas próprias tragédias e desgraças. O novo filme é evidentemente mais leve do que outras produções do gênero recentes do diretor, como o charmoso ‘Vicky Cristina Barcelona’ e ‘Tudo Pode Dar Certo’, todavia, não é tão bom ou marcante quanto os dois anteriores. Na trama, nos deparamos com pequenas histórias, de certa forma, interligadas; onde estão todos esperando que uma nova pessoa chegue em suas vidas para acabar com as complicações. Em resumo, é um bom e agradável filme sobre o amor. Com um ótimo elenco e aquela conhecida narração 'woodyana'. Deixa a desejar em comparação a outros de Allen e apresenta alguns diálogos cansativos; mas ainda assim está recomendado, afinal, Woody Allen é genial por natureza!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Senna


A trajetória do grande piloto de Fórmula 1 e eterno ídolo esportivo brasileiro, Ayrton Senna, foi parar nas telonas nacionais e internacionais. Para a surpresa de muitos, o longa-metragem não é mais uma produção da Globo Filmes; ou seja, aquele velho ponto de vista romantizado em relação à história retratada e tiradas melodramáticas, que tentam arrancar lágrimas a todo custo, estão dispensadas desta vez. ‘Senna’ é um documentário da britânica Working Title. O filme mostra, através de filmagens feitas de Ayrton Senna, sua passagem pelo esporte automobilístico – desde o início no Kart em 1978, sua entrada na Fórmula 1, passando pela Lotus, McLaren e Williams, até o fatal acidente de 1 de Maio de 1994, em Ímola. Diferente do formato tradicional do gênero, 'Senna' não tem entrevistados parados, olhando para a câmera; mas sim, comentários narrados em off. Usando o vasto acervo das TVs que cobrem a Fórmula 1 e, pela primeira vez, os arquivos da Família Senna e da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), a película reconstrói a carreira de Senna reforçando a ideia de Ayrton como um mito, alguém que beirava à perfeição não só dentro das pistas, mas também fora delas. O diretor Asif Kapadia e o roteirista Manish Pandey deram grande destaque ao confronto entre o brasileiro e Alain Prost; mas não espere mais sobre as rivalidades com Nelson Piquet ou o inglês Nigel Mansel, muito menos fofocas sobre seus romances com Xuxa ou Galisteu - embora a Rainha dos Baixinhos apareça no momento mais relaxante e cômico do filme. O acidente é mostrado inicialmente de forma bastante racional, para depois abrir espaço à emoção dos pilotos, dos brasileiros, e de todo mundo que acompanhou sua carreira até ali. Neste momento, lágrimas invevitavelmente correrão pelos rostos do público, levando todos a pensar na carência de ídolos assim que o Brasil sofre nos dias de hoje, a pensar que as manhãs de domingo nunca mais foram as mesmas, e fazendo de Ayrton Senna não apenas um herói, mas um mito.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Atividade Paranormal 2


‘Atividade Paranormal’ está de volta, e mais uma vez naquele velho esquema: câmeras caseiras que levam o espectador à tensão sem revelar muita coisa e muita embromação cinematográfica até algo de verdadeiramente assustador acontecer. O segundo filme acontece em paralelo simultâneo ao primeiro, na casa da irmã de Katie, Kristi. Em comparação ao primeiro filme, ‘Atividade Paranormal 2’ é bem menos arrepiante, não apenas pelas cenas em si, mas especialmente pelo fato de que já estamos a par de que é um demônio presente na casa; não há mais mistério nem o que esconder. Todavia, a história é mais bem desenvolvida. Tal como o primeiro filme, o que prende o público é a expectativa do que vai acontecer e não o que acontece de fato. Por fim, fica a dica: ‘Atividade Paranormal 2’ não inova em nenhum sentido, recria aquela mesma estrutura, mas ainda assim, arranca alguns sustos. Apesar de repetir o mesmo formato do anterior, não é garantido que quem gostou também irá gostar da sequência; mas vale à pena tentar!

sábado, 16 de outubro de 2010

Comer Rezar Amar


‘Comer Rezar Amar’, adaptação do livro de Elizabeth Gilbert dirigido por Ryan Murphy, narra trajetória da escritora Liz – interpretada por Julia Roberts – que após um divórcio sofrido e uma desilusão amorosa, resolve dar um tempo para si mesma, viajando durante um ano. Seus destinos são Itália, Índia e Bali – nos quais a protagonista inicia todo um processo de recuperação e mudança interior – enquanto nós, que estamos assistindo, somos bombardeados com belas paisagens e delícias gastronômicas na tela. ‘Comer Rezar Amar’ é um daqueles filmes que podem, basicamente, ser categorizados como ‘de auto-ajuda’; a produção traz uma infinidade de lições e mensagens para o público, especialmente feminino, parar para refletir. Por isso, vale à pena assisti-lo; é um filme agradável que leva à reflexão e, sutilmente – não de forma exagerada – à emoção. Não apenas isso, mas vale ressaltar que chega a ser divertido (senão vergonhoso) observar a tentativa ‘quase-bem-sucedida’ de falar português do ator Javier Bardem, no papel do brasileiro Felipe. Assistam!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2


A Tropa de Elite está de volta, e dessa vez, o alvo não são os jovens 'maconheiros' financiadores do tráfico, mas sim, o cenário político brasileiro. Com isso, 'Tropa de Elite 2' sai do padrão dos típicos filmes nacionais de favela, e pode ser classificado como um filme policial recheado de críticas e alfinetadas ao governo do Brasil. José Padilha fez um filme tecnicamente perfeito em diversos sentidos; desde os minutos iniciais, 'Tropa de Elite 2' já é genial, usando aquele velho e infalível efeito 'flashback' com uma cena que acontecerá mais adiante no filme. A sucessão de cenas, desde o Bangu 1 até o final do filme, acompanhadas pelas narrações em off do Capitão Nascimento, é um verdadeiro exemplo de uma excepcional edição, planejamento e direção - também vale salientar a notável e grandiosa atuação de Wagner Moura. Depois de um grande sucesso, como o primeiro 'Tropa de Elite', seria uma tarefa bastante árdua superar e realizar um filme como tamanha boa recepção do público sem ser repetitivo, todavia, Padilha e Bráulio Mantovani cumpriram essa tarefa com excelência. 'Tropa de Elite 2' prende o público, indigna, revolta, faz refletir e, por muitas vezes, diverte e ironiza. Tudo na medida certa. O único problema é o alto nível de persuasão que o filme possui; 'Tropa de Elite' é um verdadeiro formador de opiniões, induz o espectador a concordar e achar certo tópicos inconcordáveis como a tortura e a execução, e ir, até mesmo, contra aos direitos humanos - não apenas isso, mas tanto o primeiro filme como o segundo, são verdadeiros indutores da violência. Porém, ainda que apresentando uma moral duvidosa, 'Tropa de Elite 2' é sensacional. Recomendadíssimo!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O Último Exorcismo


‘O Último Exorcismo’ pode ser dividido em basicamente duas partes: o “documentário” e o suspense. Começando pelo documentário, que percorre a maior parte do filme – começo e meio – podemos dizer que é um documentário caseiro normal, exceto que é uma ficção. Entrevistas, cenas mal editadas, imagem de pouca qualidade, tremedeira; é até interessante, mas para os espectadores que foram ao cinema esperando cenas arrepiantes, o longo trecho documental é um verdadeiro martírio. Depois de muita embromação, o suspense começa, o filme fica tenso e prende a atenção do público (destaque para a muito boa atuação de Ashley Bell como a garota possuída Nell); o grande problema é que ‘O Último Exorcismo’ possui fatores não muito originais, o filme é uma junção de pequenos elementos presentes em gêneros já saturados: filmagens caseiras estilo ‘A Bruxa de Blair’ já estão cansando (o mais recente ‘Atividade Paranormal’ deveria ter sido uma despedida do gênero); filmes de exorcismo naturalmente despertam o interesse do público, então também já está na hora de inovar e trocar as garotas de camisola branca, manifestando-se em celeiros, por algo novo. Em relação ao roteiro em si, a história começa boa, vai ficando melhor e mais envolvente, até que, no final, apresenta uma confusa e inusitada reviravolta. A verdade é que o histórico de filmes de exorcismo estabeleceu um patamar, e ficou muito difícil superar filmes como ‘O Exorcista’ (1973) e ‘O Exorcismo de Emily Rose’ (2005). Ainda assim, recomendo que vejam ‘O Último Exorcismo’, só não espere nada de muito arrepiante ou assustador.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Recomendações: Alejandro González Iñárritu


Não há quem conteste o grande talento do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu. Juntamente com o roteirista Guillermo Arriaga, o diretor elaborou três excelentes filmes: 'Amores Brutos', '21 Gramas' e 'Babel'. Todos compostos por diversas subnarrações relacionadas com o mesmo acontecimento. 'Amores Brutos' (2000), protagonizado por Gael Garcia Bernal, entrelaça várias histórias pessoais a partir de um acidente de carro. Em '21 Gramas' (2003), com Sean Penn, Benicio Del Toro e Naomi Watts, três pessoas de personalidades diferentes têm seus destinos cruzados devido a um atropelamento. Por fim, temos 'Babel' (2006), estrelando Brad Pitt, Cate Blanchett e Gael Garcia Bernal, que mostra situações, de certa forma, envolvidas entre si, de quatro grupos separados pela distância e pela cultura em países diferentes. São filmes fortes, carregados de mensagem e emoção; onde estão presentes temas como a morte, o preconceito, o amor, os encontros da vida, entre outros; todos eles trabalhados de forma muito original. Iñárritu e seus brilhantes trabalhos já concorreram e venceram a muitos prêmios, cada um deles especialmente merecido. Vale à pena assistir às películas desse genial diretor.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Nosso Lar


Fracas atuações e uma narrativa densa e cansativa fizeram de 'Nosso Lar', um péssimo filme. Uma série de cenas pedantes se arrastam durante 102 minutos diante dos olhos do público - diálogos detalhistas e lentos, cenas auto-explicativas narradas de forma entediante, atuações que mais parecem de teatro infantil (com algumas exceções), e até o figurino tira a credibilidade do filme; por exemplo, quando o personagem principal estava no Umbral, uma espécie de purgatório, as almas que lá estavam mais pareciam vir direto do videoclipe 'Thriller' de Michael Jackson. Todavia, é difícil analisar um filme religioso sem aparentar preconceito; 'Nosso Lar' é baseado na importante obra do espiritismo brasileiro, o primeiro volume da série 'A Vida no Mundo Espiritual', escrita por Chico Xavier. Conta a história do espírito André Luíz, que após a morte, vai para outra dimensão, passando pelo Umbral e acolhido na colônia Nosso Lar, onde começa seu aprendizado rumo à evolução espiritual. Não conheço o livro, então falo pelos demais espectadores que se interessaram por 'Nosso Lar' apenas como entretenimento cinematográfico. 'Nosso Lar' é um filme muito ruim que, nem os efeitos especiais amenizaram sua situação. Depois de um filme excepcional como 'Chico Xavier', 'Nosso Lar' decepciona em basicamente todos os sentidos. Absolutamente não-recomendado!