segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Além da Vida


Dizem que o segredo de brilhar na Sétima Arte consiste em: ou inovar com uma ideia inusitada nunca antes pensada; ou recriar um gênero, isto é, se utilizar de um velho estilo de forma diferente. Esta segunda opção foi usada pelo diretor Clint Eastwood em "Além da Vida". A trama mostra três histórias, a da jornalista Marie Lelay que sofre uma experiência de quase-morte, a do pequeno Marcus que perde o seu irmão gêmeo em um acidente e tem sua mãe na reabilitação para se livrar das drogas, e a de George Lonegan, um médium de verdade, que tem o dom (encarado como uma maldição por ele) de estabelecer uma comunicação entre os vivos e mortos. São tramas distintas que trazem consigo o tema da morte e, de certa forma, um ar de melancolia; em determinada altura do filme, as histórias se cruzam espontaneamente (e vale salientar que Eastwood realizou isso de forma genial). "Além da Vida" pode ser encarado como um filme espírita por alguns, porém não acredito que esta tenha sido a intenção do diretor; a verdade é um filme muito bom e de muito bom gosto, não chega a ser um "Menina de Ouro", "Sob Meninos e Lobos" ou "Gran Torino", mas vale muito à pena ser visto! Recomendado!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

72 Horas


A refilmagem do filme francês ‘Pour Elle’, dirigida por Paul Haggis, acabou por superar de forma devastadora a película original. ’72 horas’ é um filme policial dramático recheado de suspense; é um daqueles filmes que envolvem o público e faz todos torcerem para que dê tudo certo no final. O filme conta a história de John (Russel Crowe) que após de muito tentar provar a inocência de sua esposa, Lara, planeja tirá-la da prisão. A diferença entre a refilmagem e o original é que, no filme francês, embora o roteiro seja interessante e muito bom, o filme é desenvolvido de uma forma meio entediante; já no novo, o suspense é maior e o espectador mergulha de forma mais profunda na mente do protagonista, sentindo todo seu desespero e aflição. Os fatores que levaram a superioridade da produção americana foi vários, entre eles, o fato de que Russel Crowe ficou muito bem no papel do pai e marido devoto John, atuando com muito talento e coerência (fato que acontece raras vezes); e até mesmo a influência da trilha sonora em pontos específicos do desenrolar da trama. No meio dos diversos filmes atuais de ação lançados e seus respectivos valores questionáveis, ’72 Horas’ se salva categorizando-se na linha de ‘Busca Implacável’ – porém não chega a ser tão bom quanto o mesmo – está sim, recomendado!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

As Crônicas de Nárnia 3: A Viagem do Peregrino da Alvorada


Se algum dia a trilogia 'As Crônicas de Nárnia' tentou deixar apenas subentendidas as metáforas religiosas, essa preocupação não existe mais; 'As Crônicas de Nárnia 3: A Viagem do Peregrino da Alvorada' deixa muito evidente a essência cristã do filme. Porém, independente de sua mensagem espiritual, o terceiro filme da série é, tal como os outros, um verdadeiro convite ao suicídio. Lições de moral pedantes, humor infantil caricato e cansativo, e até mesmo clichês como 'Essa espada pertenceu ao seu pai, agora pertence a você', fazem parte do roteiro. Em matéria de fazer o público refletir, Nárnia não passa de uma versão pobre de Harry Potter. Embora seja um filme muito bem produzido, não deixe a desejar em matéria de fantasia e seja o filme menos chato da série, 'As Crônicas de Nárnia 3: A Viagem do Peregrino da Alvorada' é muito escasso de conteúdo e não oferece nada além de uma análise moral barata e ineficaz.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Recomendações: Martin Scorcese


Martin Scorcese é considerado o maior diretor americano vivo por muitos estudiosos e críticos de cinema; e esse título não foi dado por acaso, é consequencia do grande número de filmes impecáveis que constam em sua ilustre carreira. Temáticas religiosas, gangsters, Nova York, máfia, violência, jogo de interesses, dinheiro, vingança; tudo isso e muito mais faz parte das produções de Scorcese. Com seu imenso talento e toda sua genialidade, o cineasta fez filmes brilhantes desde a década de 70 até os dias de hoje. ‘Taxi Driver’, ‘Touro Indomável’, ‘O Rei da Comédia’, ‘Depois das Horas’, ‘A Cor do Dinheiro’, ‘A Última Tentação de Cristo’, ‘Os Bons Companheiros’, ‘Cabo do Medo’ ,’ A Época da Inocência’ , ‘Cassino’, ‘Gangues de Nova York’,’ O Aviador’, ‘Os Infiltrados’ e ‘ A Ilha do Medo’ são longas incríveis com roteiros fascinantes e dirigidos primorosamente, que estão dentro do consagrado histórico do diretor. Com 64 indicações e 15 prêmios Oscar e 51 indicações e 9 prêmios Globo de Ouro, Martin Scorcese é sim, o maior diretor americano vivo, que sempre contou com excelentes atuações, antes de Robert de Niro, e hoje, de Leonardo DiCaprio. Recomendadíssimo!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Recomendações: Robert Zemeckis


O cineasta, produtor e roteirista estadunidense, Robert Zemeckis, pode não ter um estilo próprio tão marcante e conhecido, quanto certos diretores como Tim Burton, Almodovar, Tarantino, Woody Allen, entre outros. Mas carrega, em seu histórico, filmes notáveis que fazem valer a pena falar de Zemeckis e que o categorizam como um grande diretor. Alguns de seus grandes sucessos que recomendo são: a trilogia 'De Volta para o Futuro', 'Náufrago', 'Uma Cilada Para Roger Rabbit', 'Contato' e 'Revelação'. Mas acima de tudo, indico 'Forrest Gump - O Contador de Histórias', o qual considero um dos melhores filmes americanos já realizados, tornando-se o maior sucesso de crítica e de público de Robert Zemeckis até hoje. Com a considerável ajuda da excelente atuação de Tom Hanks e a trilha sonora de Alan Silvestri (com quem que fez praticamente todas suas trilhas sonoras), ‘Forrest Gump - O Contador de Histórias’, pode ser considerado o projeto mais maduro do diretor, mesmo que ainda mantendo seu usual gosto por efeitos especiais; não é à toa que faturou 6 estatuetas do Oscar. Assistam!

Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos



Em ‘Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos’, Woody Allen explorou mais uma vez o estilo tragicômico, ou seja, aquele humor sutil que nos faz rir das nossas próprias tragédias e desgraças. O novo filme é evidentemente mais leve do que outras produções do gênero recentes do diretor, como o charmoso ‘Vicky Cristina Barcelona’ e ‘Tudo Pode Dar Certo’, todavia, não é tão bom ou marcante quanto os dois anteriores. Na trama, nos deparamos com pequenas histórias, de certa forma, interligadas; onde estão todos esperando que uma nova pessoa chegue em suas vidas para acabar com as complicações. Em resumo, é um bom e agradável filme sobre o amor. Com um ótimo elenco e aquela conhecida narração 'woodyana'. Deixa a desejar em comparação a outros de Allen e apresenta alguns diálogos cansativos; mas ainda assim está recomendado, afinal, Woody Allen é genial por natureza!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Senna


A trajetória do grande piloto de Fórmula 1 e eterno ídolo esportivo brasileiro, Ayrton Senna, foi parar nas telonas nacionais e internacionais. Para a surpresa de muitos, o longa-metragem não é mais uma produção da Globo Filmes; ou seja, aquele velho ponto de vista romantizado em relação à história retratada e tiradas melodramáticas, que tentam arrancar lágrimas a todo custo, estão dispensadas desta vez. ‘Senna’ é um documentário da britânica Working Title. O filme mostra, através de filmagens feitas de Ayrton Senna, sua passagem pelo esporte automobilístico – desde o início no Kart em 1978, sua entrada na Fórmula 1, passando pela Lotus, McLaren e Williams, até o fatal acidente de 1 de Maio de 1994, em Ímola. Diferente do formato tradicional do gênero, 'Senna' não tem entrevistados parados, olhando para a câmera; mas sim, comentários narrados em off. Usando o vasto acervo das TVs que cobrem a Fórmula 1 e, pela primeira vez, os arquivos da Família Senna e da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), a película reconstrói a carreira de Senna reforçando a ideia de Ayrton como um mito, alguém que beirava à perfeição não só dentro das pistas, mas também fora delas. O diretor Asif Kapadia e o roteirista Manish Pandey deram grande destaque ao confronto entre o brasileiro e Alain Prost; mas não espere mais sobre as rivalidades com Nelson Piquet ou o inglês Nigel Mansel, muito menos fofocas sobre seus romances com Xuxa ou Galisteu - embora a Rainha dos Baixinhos apareça no momento mais relaxante e cômico do filme. O acidente é mostrado inicialmente de forma bastante racional, para depois abrir espaço à emoção dos pilotos, dos brasileiros, e de todo mundo que acompanhou sua carreira até ali. Neste momento, lágrimas invevitavelmente correrão pelos rostos do público, levando todos a pensar na carência de ídolos assim que o Brasil sofre nos dias de hoje, a pensar que as manhãs de domingo nunca mais foram as mesmas, e fazendo de Ayrton Senna não apenas um herói, mas um mito.